No térreo do Primavera Office, fica a Escola Dinâmica. Colocar um colégio no pavimento térreo de um prédio corporativo, ao lado de restaurantes e escritórios, foi uma das decisões mais “heterodoxas” do planejamento do Passeio Primavera, segundo os próprios responsáveis pelo projeto. A ideia nasceu em uma série de oficinas de trabalho conduzidas pela arquiteta Carol Bueno, da Triptyque Architecture. O resultado trouxe aos espaços coletivos “uma animação singular”, além de resolver algo prático: comodidade para os filhos de quem trabalha ali.
Essa opção de projeto ecoa uma discussão antiga na pedagogia da infância. Na Itália do pós-guerra, o educador Loris Malaguzzi, criador das escolas de Reggio Emilia, defendia que o ambiente funciona como um “terceiro educador”. Carla Rinaldi, que trabalhou ao lado dele, contou certa vez que, ao chegar às escolas de Reggio em 1970, se surpreendeu com o quanto já existia ali a convicção de que a qualidade do espaço e a qualidade do aprendizado caminham juntas. Uma escola cercada de muro alto pode ensinar que o mundo lá fora não interessa. Já uma escola com porta de vidro para uma praça com diferentes atores ensina o oposto.
A unidade da Escola Dinâmica foi inaugurada no Passeio Primavera em 2020. O projeto ocupa 755 metros quadrados e foi pensado em diálogo com a proposta pedagógica da escola, que trabalha a partir de princípios construtivistas e valoriza autonomia, criatividade, autenticidade e sociabilidade. Entre as escolhas arquitetônicas estão salas circulares, ambientes sem paredes, iluminação e ventilação naturais e o uso de madeira certificada.
Para uma criança, todos esses detalhes importam. Uma sala circular muda o campo de visão. Um ambiente sem paredes oferece outra possibilidade de circulação. Uma janela pode mostrar o que acontece do lado de fora. Um material ao alcance das mãos permite que uma criança escolha alguma coisa sem precisar pedir ajuda.
É uma discussão que também atravessa a literatura infantil, por um caminho parecido. A educadora Bel Santos Mayer, uma das vozes mais conhecidas do Brasil em formação de leitores, costuma dizer que o gosto pela leitura nasce de um ambiente que convida a criança a se aproximar do livro por vontade própria, não de uma lista de obrigações. Ela estará em Florianópolis entre 13 e 15 de novembro, na primeira edição do Ponte de Palavras, encontro literário gratuito que ocupa a Casa Hurbana, o Palácio Cruz e Sousa e a Casa da Literatura Catarinense, com uma programação dedicada também à formação de leitores e à literatura para as infâncias.









