O escritório tradicional foi construído sobre uma premissa simples: o trabalho tem um lugar. Um prédio, um andar, uma mesa. A ida e a volta estruturavam o dia, separavam os papéis, marcavam o início e o fim. Por décadas, esse modelo funcionou, em parte porque não havia alternativa e, em outra, porque criar fronteiras claras entre o profissional e o pessoal fazia sentido. O problema é que a fronteira foi ficando cada vez mais rígida, e o que permaneceu foi empobrecendo.
A experiência do trabalho remoto evidenciou vantagens importantes, mas também revelou a importância dos encontros presenciais para a troca de conhecimento, a criatividade e a construção de vínculos profissionais. A pesquisa da ABRH Brasil, conduzida em 2024, mostrou que o modelo híbrido não é uma solução de compromisso, mas a resposta que mais se aproxima do que as pessoas de fato querem: a flexibilidade do remoto com a presença do presencial, escolhida quando vale a pena. Bairros antes periféricos passaram a registrar crescimento na demanda por cafés, restaurantes e espaços de trabalho compartilhados. A geografia do trabalho se redistribuiu.
Nesse contexto, a pergunta que os espaços precisam responder mudou. Antes era “onde posso trabalhar?”. Agora é “por que vale a pena ir?”. Quando um espaço oferece apenas mesa e internet, a resposta fica difícil. Do outro lado, quando disponibiliza gastronomia, encontros, cultura e convivência genuína, a conta fecha de outro jeito.
O Passeio Primavera, inaugurado em 2015 às margens da SC-401, previu com bastante antecipação a transformação que viria. Instalado na Rota da Inovação de Florianópolis, o complexo integra no mesmo endereço o Primavera Office, com andares de escritórios e um ático com sunset bar, o Centro de Inovação da ACATE, cinco fundos de investimento no Hub Primavera, a Mercadoteca Floripa com mais de 18 operações gastronômicas, uma galeria de arte e espaços a céu aberto de convivência. Não é uma lista de amenidades. É uma compreensão de que o trabalho criativo vive também de acaso, de pausa, do almoço que vira conversa, da ideia que surge depois que a reunião acabou.
A mistura de usos que o urbanismo contemporâneo busca como modelo, moradia, trabalho, cultura e gastronomia no alcance de uma caminhada, o Passeio Primavera realiza de outra maneira. Comprimindo no mesmo espaço a pluralidade que uma cidade saudável distribui pelo território. O resultado é um endereço que tem razões para ser frequentado em horários e por motivos diferentes, por pessoas que nunca dividiriam uma mesa de reunião, mas que dividem a fila do café. Essa sobreposição é o que faz um espaço urbano funcionar como comunidade.









