Na Mercadoteca, no Passeio Primavera, em Florianópolis, o encontro com os amigos não precisa esperar pela sexta-feira. Pelo menos uma vez por semana, a administradora Laura de Mello, que trabalha no Primavera Hub, termina o expediente e segue para o espaço gastronômico para confraternizar com os colegas. O compromisso, que começou como uma forma de relaxar depois do trabalho, já faz parte da rotina.
“Quando uma semana começa, eu sei que algum dia vou sentar e relaxar com meus colegas. Me dá fôlego para aguentar os dias mais puxados”, conta Laura. Foi também na Mercadoteca que ela conheceu Ravi, seu namorado, que frequentava o lugar acompanhado dos próprios colegas de trabalho. A experiência de Laura acompanha uma mudança na maneira como as pessoas organizam a vida social. Em vez de concentrar os encontros no fim de semana, bares e restaurantes passam a fazer parte de outros momentos da semana, criando oportunidades para estar com os amigos mesmo em meio a uma agenda cheia.
Parte desse movimento está relacionada às transformações no trabalho. Dados da Kastle Systems, empresa americana de controle de acesso a edifícios, indicam que terça, quarta e quinta-feira concentram os maiores índices de presença nos escritórios. Com mais colegas reunidos presencialmente nesses dias, os encontros depois do expediente também ganham espaço na agenda. Em Londres, a revista Time Out identificou uma tendência semelhante, associada à flexibilização do trabalho e à distribuição dos compromissos sociais ao longo da semana.
No Brasil, sair para comer ou conversar também faz parte da rotina de uma parcela expressiva dos consumidores. Uma pesquisa da NIQ aponta que 48% dos frequentadores de estabelecimentos gastronômicos ouvidos no levantamento foram a esses estabelecimentos ao menos uma vez por semana nos três meses anteriores. O dado se refere a consumidores premium e não especifica os dias das visitas, mas ajuda a dimensionar a presença desses espaços na vida cotidiana.
Há, ainda, uma dimensão urbana nessa busca por lugares de convivência. Em 1989, o sociólogo Ray Oldenburg definiu como “terceiros lugares” os ambientes que, além da casa e do trabalho, favorecem a socialização e a construção de vínculos. Estabelecimentos gastronômicos são exemplos de espaços em que a vida coletiva pode acontecer sem depender de uma ocasião especial.
Inaugurada em 2018, a Mercadoteca reúne diferentes opções gastronômicas em um ambiente de convivência no Passeio Primavera, na SC-401, próximo ao eixo de inovação de Florianópolis. Para quem trabalha na região, a localização facilita a inclusão de uma pausa na rotina, sem exigir grandes deslocamentos ou um planejamento elaborado para encontrar os amigos.
Quando empreendimentos são pensados em conjunto com a conexão com o entorno, a vida social encontra mais possibilidades de acontecer no cotidiano. Como mostra a experiência de Laura, às vezes, basta uma mesa depois do expediente para aliviar uma semana difícil ou conhecer alguém que vai fazer parte das próximas.









